Valor Compartilhado – A reinvenção do capitalismo – Parte 1



Por Lucas Tomas
Premissas introdutórias
No final de 2006, Michael E. Porter e Mark R. Kramer publicaram na HBR (Harvard Business Review), um artigo fazendo menção à um atual modelo capitalista “sitiado”. Onde o crescimento econômico e desenvolvimento social entraram em um ciclo vicioso de estagnação, sendo que a solução seria repensar uma nova maneira de praticá-lo. Segundo os gênios da administração, a solução seria o propósito do Valor Compartilhado.

Essa metodologia entende que diversas práticas visando o aumento da competitividade entre as empresas além de trazer lucros maiores aos seus acionistas, também pode desenvolver socialmente as comunidades vizinhas à organização.

Nas últimas décadas, as atividades empresariais são associadas como a principal causa dos problemas ambientais e socioeconômicos, tendo sua expansão atribuida à geração de passivos nas comunidades que a cercam, denegrindo a imagem dos grandes conglomerados. É através deste efeito negativo, que a teoria do Valor Compartilhado, chega para se tornar o elo entre o progresso social e econômico.

Não podemos confundir essa metodologia com responsabilidade social ou sustentabilidade, é na verdade uma alternativa de criar valor em um momento em que a baixa confiança dos órgãos legisladores sobre as empresas, os obriga a criar diversas normas que inibem o crescimento econômico – fazendo com que o meio empresarial entrasse em um ciclo vicioso. Sendo assim, essa geração de valor, passa a ser uma tendência para desencadear um grande movimento de inovação e crescimento em escala mundial.

O grande problema de sua aplicabilidade é a falta de renovação na cultura das organizações, que mantém o pensamento ultrapassado de enxergar a geração de valor em algo negativo para os lucros, mantendo longe das suas práticas diversas preocupações que o mercado atual exige. Pensar apenas no corte de custos não garante rentabilidade ao negócio, é preciso garantir o bem-estar dos funcionários e clientes, cuidar dos recursos naturais vitais para suas atividades, entre outras que tanto se fala – agir de forma contraria não é a “solução” para vencer os concorrentes. Os grandes líderes mundiais já têm essa preocupação, internalizando os elementos deste novo modelo, porém ainda não existe um marco que sirva de norte para essas atividades em grande escala.

Embora algumas gigantes do mercado mundial já possuem praticas de Valor Compartilhado (como: Google, IBM, Intel, Nestlé e Unilever), o seu potencial aplicatório ainda é incipiente. Para que se materialize, líderes e gerentes devem mudar suas formas de enxergar o mercado, adquirindo uma profunda apreciação das necessidades da produtividade, transpondo a fronteira entre lucratividade e valor agregado. Já ao poder público, cabe o aprendizado de regular normas a fim de fomentar essa cultura.

O capitalismo é um meio inigualável para satisfazer as necessidades humanas, aumentar a eficiência produtiva, gerar empregos e aumentar a riqueza. Só que em sua concepção, nuca houve preocupações em enfrentar os grandes desafios da sociedade, e observamos apenas a negligência dos agentes mais fortes em promover e lidar com as questões a nossa frente.

Os propósitos institucionais devem ser redefinidos, assim como o Valor Compartilhado, e deixar de vislumbrar o lucro por si só, mas sim alimentar uma nova onda de inovação e crescimento na economia global. E aprender a gerar valor, talvez possa ser a melhor forma de legitimar as atividades empresariais.

Referência:
Harvard Business Review Brasil. Disponível em <http://www.hbrbr.com.br/blog>